Da religião estética à história universal da salvação
a virada católica de Friedrich Schlegel e as metamorfoses de sua filosofia da história
DOI:
https://doi.org/10.5216/rth.v28.84219Schlagwörter:
Friedrich Schlegel, Filosofia da História, Romantismo, Catolicismo, Teoria da HistóriaAbstract
O presente artigo tem como propósito analisar as metamorfoses das concepções de Friedrich Schlegel sobre a história a partir de sua conversão ao catolicismo ocorrida na primeira década do século XIX. Partindo de uma leitura comparativa de suas obras Ideen (1799), Vorlesungen über die neuere Geschichte (1811) e Philosophie der Geschichte (1828), bem como do impacto e influência da obra Europa (1799) de Novalis em sua filosofia da história, busca-se compreender como a trajetória intelectual de Schlegel vai de uma compreensão da história humana o culminar de uma religião estética — característica do primeiro romantismo — à formulação de uma História Universal da Salvação fundada em pressupostos teológicos. Nesse percurso, o artigo analisa o deslocamento de uma filosofia da história imanente, centrada na experiência estética humana, para uma visão providencialista da história como revelação e realização do plano divino. Tal passagem não apenas expressa a inflexão católica do autor, mas também exemplifica a crise epistemológica do pensamento moderno diante da perda de fundamentos metafísicos universais. A pesquisa insere-se no campo da Teoria da História, problematizando as relações entre romantismo, religião e filosofia da história, contribuindo para a compreensão das continuidades e rupturas entre o pensamento histórico moderno e o pensamento histórico cristão no início do século XIX.
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